<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035</id><updated>2011-07-30T22:28:21.136-03:00</updated><title type='text'>cartas rizomáticas</title><subtitle type='html'>Ao pensar um nome para o blog, vacilo entre Letras e Cartas. A escolha de Letras é rápida, impensada, poderia dizer... Só depois me ocorre que, afinal, trata-se, desde o início, de Cartas/Lettres. Que seja, então, como obra de um mau e apressado tradutor que este nome, esta marca, se inscreve aqui, à maneira de uma convocação: dar conta daquilo que, ao dirigir-me ao outro, em todo e qualquer lugar, de e em mim (esses muitos outros) se ins/es-creve e se faz  produção.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-6504558980269910653</id><published>2010-07-30T18:17:00.004-03:00</published><updated>2010-07-30T18:22:14.410-03:00</updated><title type='text'>Isso que me olha</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;[...] &lt;em&gt;a gente não gostava de explicar as imagens porque explicar afasta as falas da imaginação &lt;/em&gt;(Manoel de Barros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um homem procura uma mulher pelas estepes siberianas, recusando todas as recomendações de seu amigo quanto ao risco de sua empreitada. Sim, a mulher é casada, sim, tem uma filha, sim, sim, o marido é ciumento, esse encontro que ele busca, que o obceca, pode matá-lo. Mas não há apelo à razão que possa deslocá-lo de seu movimento e sua fissura. É preciso, é urgente falar com ela. Sua aflição o arrasta, carrega o que quer que encontre em seu caminho, as dores, as ânsias, os olhos, ah, sim, todos os olhos que buscam capturá-lo, pará-lo por um instante que seja, reconhecê-lo no que o move.&lt;br /&gt;Seu movimento, que ignora qualquer barreira, encontra outros movimentos, outras ânsias, outras perambulações. Movimentos que entretanto não lhe dão continência. A mulher, um ponto vermelho na paisagem dourada, um ponto que o ignora e que ele busca, está lá, não exatamente à espera, mas visível sob a luz intensa que a faz emergir única, singular, como pólo irresistível de atração. O que os separa, uma brecha, uma fissura no terreno, marcando o lugar de onde ele fala, interpela, demanda, e o da mulher e a filha que ela chama, sustentando-se numa quase indiferença que o incita, que o provoca. Um corpo que existe à sua revelia, embora só tenha existência porque, de seu lugar, de seu desejo, ele o olha e o interpela. E esta é a questão que ele lança, insistente: estivemos juntos numa festa, lembra-se?, e você me olhou. E agora, o que fazer com isso? O que fazer disso, desse acontecimento singular, desse encontro de olhares? O que fazer dessa captura? A pergunta ansiosa do homem encontra a plácida resposta da mulher que ao mesmo tempo o evita e o atrai: não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Dois&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A escola descobre o cinema. Essa descoberta assume várias formas. A mais comum e prosaica é o uso do cinema como dispositivo temático. Exibe-se um filme como suporte para algo que se pretende apresentar aos alunos. São abundantes hoje as indicações de filmes para se trabalhar isto ou aquilo a partir de seu conteúdo. Trabalha-se, assim, saúde, história, geografia, ecologia, ética, relações humanas com o recurso aos exemplos. Este é um uso moral do cinema, pois ele supõe sempre a existência de um modelo, de uma referência pré-dada em relação ao qual algum ajuste se propõe, tendo como resultado esperado e final uma compreensão do tema proposto. O filme como narrativa, como texto, está em segundo plano ou nem sequer é considerado.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Três &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os filmes são histórias de amor, diz Wim Wenders em O estado das coisas. E a relação primeira com o cinema é de paixão. O encontro com a tela e suas imagens dificilmente é significável senão como encantamento. Não responde às necessidades básicas da vida, não é essencial à sobrevivência, pode ser considerado dispensável ao cotidiano dos homens... Entretanto, encontrá-la, ser tocado por suas imagens, por esse tempo que dura, pelo movimento em transformação que apresenta nos coloca na condição do homem que busca a mulher nas estepes siberianas: você me olhou, e agora, o que fazer com isso? O que fazer com essa perturbação do corpo, com essa desordem sensório-motora, com essa abundância de perceptos e de afectos que o afetam? E não se trata, nessa pergunta, de compreender nem de explicar, mas sim de saber como dispor-se ao encontro com seus ritmos, suas velocidades, suas variedades, seus fluxos, pois é na afetação que se produz nesse encontro que o corpo, tomado por essas forças que lhe chegam sem que delas tenha controle, é forçado a pensar. Um pensar que só é possível no próprio afetar-se, no habitar a diferença que se produz nesse encontro corpo-imagens. Pois a força de um filme não está na tela nem no olho de quem o vê; está no &lt;em&gt;entre&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zero &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No encontro, a educação é do olhar; no encontro, o que pulsa é a possibilidade de pensar; no encontro, o que o sustenta é uma ética. Não se trata de “qual cinema” colocar na escola, mas “como” colocar o cinema na escola.&lt;br /&gt;_______________________________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A referência, aqui, é ao filme &lt;em&gt;Euphoria&lt;/em&gt;, de Ivan Vyrypayev. Produção russa de 2006, o filme é um poema audiovisual que tem como protagonista as estepes siberianas. Um homem e uma mulher saem em louca corrida pelas estepes, movidos por uma urgência que não podem nomear.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-6504558980269910653?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/6504558980269910653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=6504558980269910653' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/6504558980269910653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/6504558980269910653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title='Isso que me olha'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-1763229605895925511</id><published>2010-05-20T00:54:00.000-03:00</published><updated>2010-05-20T00:56:08.702-03:00</updated><title type='text'>Da imbecilidade</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Já a imbecilidade humana me aterroriza. Se a inteligência não constitui uma ameaça, por suportar o diálogo e a crítica, a imbecilidade é destrutiva, por supor-se verdadeira. A imbecilidade é arrogante, a inteligência é humilde. Por isso a inteligência avança, revê seus princípios, se revitaliza a cada novo saber que encontra. E a imbecilidade, com suas certezas, vê em qualquer avanço uma ameaça, em qualquer novo saber a possibilidade de deslocar-se de sua certeza. Ninguém mais desejoso de segurança que um imbecil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12pt;" lang="EN-US" &gt;Quem adere à verdade, ou busca ansiosamente uma? Em contrapartida, quem transita pelos discursos do mundo, os frequenta e aprende a rir deles? A inteligência ri, como princípio, não daquele que busca saber, e sim do que busca desesperadamente instituir-se ou valer-se do instituído para legitimar-se. O homem inteligente é sempre um clown entre sizudos doutores. E é bom que seja visto assim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12pt;" lang="EN-US" &gt;Contrapartida de meu terror (e sua justificativa):&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12pt;" lang="EN-US" &gt;Nada aterroriza mais a imbecilidade que a inteligência humana. Que ela seja identificada a uma certa loucura, a uma certa incipiência, para não ser rapidamente eliminada, chega a ser uma estratégia, não só de sobrevivência, mas de construção de territórios mais ou menos viáveis, embora sempre finitos. A imbecilidade pretende-se eterna, a inteligência sabe-se provisória. A primeira adere, a segunda não cessa de descolar-se de si mesma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-1763229605895925511?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/1763229605895925511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=1763229605895925511' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/1763229605895925511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/1763229605895925511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2010/05/da-imbecilidade.html' title='Da imbecilidade'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-6042285416362953426</id><published>2010-05-20T00:51:00.000-03:00</published><updated>2010-05-20T00:53:27.039-03:00</updated><title type='text'>Dos seguidores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jamais se demande de um criador que ele seja “iano”.. Freud jamais foi freudiano, Lacan jamais foi lacaniano... (embora pareça haver um equívoco em pretender-se “freudiano” para legitimar-se). Reich jamais foi reichiano, embora tenha produzido, da mesma maneira que seus pares antagonistas, uma infinidade de “ianos” que reivindicam serem mais fiéis ao mestre que os outros (ou que ele mesmo), o que vale dizer, mais obsessivamente reprodutores que o próprio mestre poderia ter sido de si mesmo. Não se é seguidor de si mesmo; um homem não pode, sob o risco de perder-se, seguir sua própria sombra. Lacan, por sinal, sempre foi muito claro na fala aos seus “discípulos”, jamais se recusando a chamá-los de imbecis por serem tão-somente seus seguidores. Daí que o “estilo lacaniano”, essa retórica tão valorizada pelos que fizeram e fazem escola em torno dele, sempre foi recusado por Lacan, pelo menos em sua fala pública: sua incitação sempre foi para que aqueles contaminados por seu pensamento construíssem seu próprio estilo. Mas ousar isso, essa “traição”, quem há de?&lt;br /&gt;Trata-se menos de uma incapacidade e mais de um temor que incapacita. Criar, avançar, falar o que não foi dito da mesma maneira, inventar e inventar-se em uma lingua, implica fazer-se solitário, irremediavelmente solitário. O que não quer dizer “sozinho”, mas sim situado nessa irredutível diferença que só pode construir aliados, estabelecer conversações, mas que não se reduz, jamais, à ilusão de compor somatórias com o outro sem alterar-se nessa composição (não há composição que não implique o alterar-se). Implica, também, estar fora das querelas que opõem pensamentos e escolas por uma absoluta necessidade de pertencer a algum lugar reconhecido como a melhor igreja do momento. A solidão implica uma despreocupação quanto a legitimar-se como único, como absoluto, como “melhor que”; não se fazer porta-voz de nada que não seja si-mesmo; saber-se muitos mas só falar por si mesmo, ser soberano na própria voz, com todos os riscos que esse falar implica; o mais óbvio, o de não encontrar superfícies de aderência e ouvintes encantados com sua fala (ou, pior, de só encontrar ouvintes encantados com sua fala).&lt;br /&gt;Risco que é, sempre, uma ilusão.. A fala fascinante fascina, em primeiro lugar, a si mesma. Talvez só a si mesma. Fascinar o outro é o que a inscreve na intencionalidade de todas as seduções. Afetar sem jamais ser afetado, sonho de Don Juan, de Valmont, sonho dos líderes que se cristalizam como tal. Não se trata de buscar ouvintes – na aspiração de sermos sempre os mesmos, qualquer que seja o lugar em que estejamos, essa ignorância do outro a que alguns costumam chamar “autenticidade” – e, sim, interlocutores e intercessores. Ter um interlocutor/intercessor – o que é raro, nos embates de narcisismos – é o mais precioso bem para nosso pensar (mesmo porque sem interlocutor/intercessor não há pensamento vivo). Interlocutor/intercessor é aquele que me afeta e se afeta dando novos rumos ao pensar, que faz do pensamento um devir. É aquele com quem se produz o que não se pode produzir sozinho e que não se produziria da mesma forma senão com ele. Pensamentos que, desejantes, se potencializam a cada nova conexão, a cada novo encontro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-6042285416362953426?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/6042285416362953426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=6042285416362953426' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/6042285416362953426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/6042285416362953426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2010/05/dos-seguidores.html' title='Dos seguidores'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-5308552570349724079</id><published>2010-04-13T13:29:00.002-03:00</published><updated>2010-04-13T13:33:37.439-03:00</updated><title type='text'>O mais profundo é a pele, diz Valery</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;[este é um texto de 1995; ontem comentava sobre ele, resolvi atualiza-lo aqui]&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um afeto tão  delicado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passo várias vezes por você. Encontros  circunstanciais: eu a cumprimento, trocamos uma ou outra palavra. Nada  mais. Isso dura. Há o fato de freqüentarmos o mesmo espaço, de nosso  tempo, às vezes, coincidir. Chegamos a ficar lado a lado uma ou outra  vez, cada um ocupado com as próprias ações.&lt;br /&gt;Como isso se altera? É  difícil precisar o momento. Um encontro fora das referências cotidianas.  Um momento em que estamos menos absortos. Não importa. Um dia trocamos  palavras um pouco mais prolongadamente, nos olhamos um pouco mais  demoradamente. Há até um sorriso mais extenso, a um comentário que parte  de um dos dois. Uma proximidade que permite uma apreensão mais fina de  nossos contornos. Alguns dizeres que se encontram com outros dizeres,  que remetem a uma outra referência. Talvez uma coincidência de gosto,  tal música, tal filme, tal texto lido com uma mesma intensidade.&lt;br /&gt;O  que sei: nesse momento, não localizável precisamente, um rosto se  desenha em meu espírito. Um rosto que, quando a encontro, reconheço nas  suas linhas ainda tênues como ocupado por uma inespecífica  familiaridade. Algum brilho que não sei de onde se manifesta. Um viço,  um prazer, uma alegria atravessando esses momentos em que o rosto  torna-se presente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O dizível talvez só seja significável como uma  diferença. Não posso dizer que o amor (o que chamamos de) começa aí,  como somatória de gestos que fazem com que depositemos, um no outro, um  certo sentido de felicidade. Uma certeza. Um charme. Pois nada me  autoriza dizer que isso resulta de uma somatória, que se compõe desses  vários encontros tomados na sua seqüência, como se a familiaridade e o  reconhecimento fossem efeito de uma cena que, por se repetir, permite  uma proximidade "natural" (embora seja assim que muitas vezes se  rememora um "conhecimento": como algo que progride). O que tenho: um  "eis aí". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gestos compõem linhas e planos num fora, desenham a  geografia de um corpo que, por se desenhar desses gestos, reconheço como  singular. Mais: essa geografia se desenha sobre um corpo que até então  não significava isso, enquanto alguma coisa capaz de me mover, e ganha  sentido à medida que meus gestos, indo na sua direção, o apreendem e lhe  dão e (ao mesmo tempo) lhe descobrem a forma. Isso é simultâneo. O  acontecimento abre um devir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Algo que se realiza fora, entre. Um  plano de consistência. Uma vibração. Aí, os corpos: superfícies de  reverberação. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;Um laço tão íntimo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso ainda  dizer: você é única. Nem você, nesse momento em que estamos próximos,  pode me dizer, você é único. Ao contrário, somos muitos. Mas basta que  nos olhemos e, iludidos na vã promessa, comecemos a nos dizer a única, o  único, para que nossos corpos percam sua superfície, para que nossos  olhos simulem mais além. E quando a encontro, não a olho no seu  movimento de chegar, eu a busco antes, na minha espera, na possibilidade  de você não vir, esse sempre possível desencanto. Quando a encontro,  não a olho mais. Eu a vejo antes, faço de você a mesma, busco fazê-la  coincidir com meu olhar. No que você me falta.&lt;br /&gt;Começo a chamar isso  de amor. E a esperar que você chame isso de amor. O que acontece.&lt;br /&gt;Tudo  parece bom. Tudo parece certo. Um estado feliz que se prolonga. Chamo  de tremor o que um dia atravessou meu corpo, iluminando-o de não sei  quê. Insisto em chamar de incerteza o que me tomava como um vento  indiscernível. Pouco mais que uma brisa. Ou menos...&lt;br /&gt;É quando  percebo: esse vento, não o sinto mais. Mas insisto: eu o troquei por  algo mais profundo, por essa possibilidade de olhá-la e conhecê-la nos  mínimos gestos, de antecipar-lhe as respostas, e pelos olhares cifrados  que aprendemos a trocar. Tão íntimos... E isso não me alegra.&lt;br /&gt;Fazemos  de nossa fala a contínua evocação do momento em que ainda éramos  estranhos. Nos acostumamos a rir, gozosos, do que escolhemos chamar de  primeiras vacilações. E criamos histórias, inventando um tempo possível  em que eu a olhava sem saber como chegar, e de você que esperava isso...  Ou o contrário, tanto faz. São histórias de embalar desejos e construir  o tempo.&lt;br /&gt;Às vezes trocamos fantasias. Brincamos que somos estranhos,  que estamos nos conhecendo agora, e você me olha dissimulada, eu brinco  de macho pronto para o ataque, você de fêmea em fuga. A brincadeira  dura, se prolonga, sabemos onde ela irá terminar.&lt;br /&gt;Às vezes brigamos.  Invocamos a memória, construímos nossas falas sobre faltas e deveres.&lt;br /&gt;Às  vezes ficamos quietos. Nem um nem outro está ali. Nem um nem outro  pergunta onde está. Não estar basta.&lt;br /&gt;Demoro nas ruas. Você também.  Nada acontece. Alguns rostos se desenham aqui e ali. Mas desaparecem. Às  vezes é uma leve brisa, que me faz, sem pensar, puxar um pouco o  casaco, evitando olhar à volta. Apresso-me, compro flores, estou sempre  em cansado retorno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;Um amor tão profundo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos  sentados a uma mesa, você absorta em suas questões, eu nas minhas. Quase  não nos olhamos, quase não falamos. Peço desculpas se algum ruído que  eu faça a perturba. Desculpas que vêm quase por dever.&lt;br /&gt;Um dia, talvez  aconteça que, nesse estar distantes na proximidade, nos incomodemos  além dos estares cotidianos. Pode ser que um de nós se dirija à janela,  encontre a cidade reduzida a puros pontos luminosos e, sem dizer nada,  recue até a porta, abrindo-a devagar e silenciosamente. E parta, mesmo  que por um quase imperceptível afeto. Será um começo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-5308552570349724079?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/5308552570349724079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=5308552570349724079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/5308552570349724079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/5308552570349724079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2010/04/o-mais-profundo-e-pele-diz-valery.html' title='O mais profundo é a pele, diz Valery'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-4897824914319925782</id><published>2009-05-24T12:52:00.006-03:00</published><updated>2010-04-13T13:18:54.359-03:00</updated><title type='text'>Afetos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/ShlwJw35aAI/AAAAAAAAAbI/5n-LghBM9kk/s1600-h/DSC_0086.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/ShlwJw35aAI/AAAAAAAAAbI/5n-LghBM9kk/s400/DSC_0086.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339422146264918018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Um encontro que surpreende os dois. Eu não a esperava ali, embora o espaço nos seja comum. Não àquela hora. Não naquele ponto de passagem. Há uma surpresa que nos atravessa, há mesmo um movimento&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;– sutil – que vacila em nossos corpos simulando uma aproximação. Rapidamente nossos olhares se desviam. Posso dizer que meu olhar dura um pouco mais, pois eu a vejo dirigir a cabeça na direção contrária à que estou, em movimento ascendente. Empina o nariz, enquanto a boca se curva para baixo. Expressão de um ressentimento que dura. Quantos anos? Três, talvez quatro. Não suficientes para desfazer as cristalizações que determinaram nosso afastamento. Não posso acusá-la, pois em mim esse tempo também se prolonga, já que não faço esforço algum para alterar o movimento que desenha em seu corpo o gesto dessa mágoa que ainda o sustenta nesse inesperado encontro. Deixo-a ir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há outro momento, com outra pessoa. Com esta não há ruptura; permanecemos na proximidade. Duramos em nossos cristais, indefinidamente. Alternamos momentos leves com respostas duras. Há uma fragilidade que nos sustenta de alguma maneira. Uma fragilidade, não um laço frágil. Ao contrário, são duros e persistentes esses laços. Duramos. O ressentimento é vivido como infinito, construído de silêncios, queixas, gestos contidos e uma certa resignação. Pergunto-me, o que nos impede de testar nossos limites até alcançarmos outras margens? Experimentarmos uma ausência, por que não? Não sei. O que sei é que isso que nos une – essa paixão em suspensão – nos despotencializa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Duas formas de encontro que não evitam, entretanto, que entre um e outro aconteçam encontros mais generosos. Se nos extremos estão os gestos inimigos, absolutizados, há muitos outros, cotidianos, que não chegam a confluir para um ponto específico, simplesmente acontecem, se prolongam, se modificam. São também durações, mas de outra qualidade. São laços, não necessariamente frágeis, mas que aparentemente não se comprometem a ponto de se tornarem exigentes de um depois. Nesses encontros, o tempo é sempre outro. Ele escorre, flui. Às vezes não me dou conta de quanto ele dura, da flutuação em que sua velocidade varia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas não só isso. No momento em que os encontros acontecem, são múltiplas e diversas as passagens de força entre um e outro. Fruição do pensamento, estados afetivos que permitem o riso, o ligeiro, o intenso, o “sério”, o confessional... Estados de alma e estados de mundo são lugares dados ao trânsito... Interrompido o acontecimento, há o sentimento de que algo se potencializou, de que tudo continua, não necessariamente da mesma maneira. Esses laços, cuja condição parece ser a fragilidade, renovam-se em outros encontros, sem que o hiato angustie qualquer espera. Eles acontecem, isso é tudo. Permanecem, variáveis, ao longo dos anos, sem que percam sua força. Eles são.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Imagem:  preparação das peças da exposição &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Contidas regras&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt; - era dos "estados de violência" (2008), de &lt;a style="color: rgb(51, 204, 0);" href="http://www.ufmg.br/online/arquivos/010109.shtml"&gt;Rogéria Maciel Meira&lt;/a&gt;, cujo tema é a violência do homem contemporâneo e a busca de saídas para combater seu crescimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-4897824914319925782?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/4897824914319925782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=4897824914319925782' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/4897824914319925782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/4897824914319925782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2009/05/afetos.html' title='Afetos'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/ShlwJw35aAI/AAAAAAAAAbI/5n-LghBM9kk/s72-c/DSC_0086.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-9094563967989361164</id><published>2008-03-25T22:58:00.014-03:00</published><updated>2010-04-13T13:20:53.040-03:00</updated><title type='text'>Triângulos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/Shl74fjqXoI/AAAAAAAAAbo/kUKdVvlkXEo/s1600-h/cinzas+de+deus+2.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 272px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/Shl74fjqXoI/AAAAAAAAAbo/kUKdVvlkXEo/s400/cinzas+de+deus+2.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339435043698400898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A emergência de um terceiro no casal que constituímos com outra pessoa nos ameaça com o risco da perda, isso todos sabemos... Mas o que, efetivamente, estamos perdendo? Claro, aquele que amamos (às vezes não tanto mais), seu afeto (às vezes não tão intenso), sua presença (nem sempre tão presente)... Certamente, perdemos, muito mais, nossa referência, nossa composição, nosso corpo/alma que aprendeu a existir em relação com essa pessoa que amamos (ou que supomos amar) e que às vezes nem sequer consegue respirar sem ela, tão indistintos nos tornamos... Perdemos nosso corpo ao perder o outro corpo que nos dá essa dimensão do que somos... perdemos nossa suficiência, nosso território até então habitável. E tudo porque um terceiro emergiu nessa vida idílica que é tanto vivida como sonhada (às vezes mais sonhada que vivida).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O outro, o invasor que se torna alvo é, então, em todos os sentidos, uma ameaça à nossa integridade (mesmo que seja só uma pequena integridade). E ele é ameaça por que, provavelmente, conseguiu provocar nesse outro (amado), que nos constitui, mais alegrias que nós próprios conseguimos produzir (ou que conseguimos ter com ele). Eles se compõem melhor, é uma alegria maior, um prazer maior... É, enfim, a evidência de que não somos bastantes para essa vida a dois sonhada.&lt;br /&gt;Quando estamos com alguém, criamos alguns hábitos, tanto os atravessados por acontecimentos intensos que nos alegram como aqueles que, por nos entristecerem, preferimos ignorar. Afinal, que relação não tem seus momentos alegres alternando com os tristes? Os tristes nos distanciam, nos calam, com freqüência deixamos passar (afinal, há o medo de maior distância se cobramos, se exigimos, se trazemos à baila o desconforto... são muitos os riscos...). Mas, bem ou mal, temos lá aquele outro ao nosso lado, aquele corpo que nos aquece quando sentimos frio... Tudo vai bem, até que aparece um terceiro que nos retira desse conforto (que pode ter se tornado já um tanto morno). E de repente aquela nossa pessoa querida se mostra animada de outra maneira. E não é por nós. Alguém a alegra mais que nós!!! Sinal de que nossos laços não eram tão fortes assim (rica, essa nossa linguagem: o que nos anima e nos liga e nos compõe designa também o que nos prende). E quem expôs essa evidência foi um terceiro que nem sequer conhecemos. Como não odiá-lo? Não fosse ele, nosso mundo perfeito e cômodo continuaria.&lt;br /&gt;Partimos, então, para o ataque ao terceiro que nos desloca: que tal desqualificá-lo? Essa é uma estratégia, principalmente quando não o conhecemos, mas podemos imaginá-lo. Que tal ameaçá-lo, infernizá-lo, perturbar-lhe a alma... talvez ele desista. Tudo isso é mais fácil do que perguntarmos por nossas próprias composições com nossa "cara metade"... por aqueles estados de alma que, de há muito, já não vivemos, não experimentamos em sua companhia. Isso vale também para o ciumento obsessivo, que nem sequer precisa da existência do terceiro para sofrer. Só sua possibilidade é já um tormento. Ele se torna, então, um atormentador distanciado. Vigia tudo, está sempre atento ao menor gesto suspeito ("que alegria é essa em sua cara, hein?". Aquele que faz essa pergunta sabe que essa alegria não é &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; nem &lt;em&gt;por&lt;/em&gt; ele, já que, vigilante, nunca está junto, de corpo inteiro com o vigiado.&lt;br /&gt;Dizem tanto que o ciúme é o tempero da paixão ou do amor que é bom verificarmos como esse tempero potencializa (como o ajinomoto dos orientais...) o sabor amoroso ou o excede. Se é impossível evitar o tempero, é bom perguntar pelo que ele nos ensina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ciúme é um afeto triste. Seja ele imaginário, seja ele produzido por um outro em nosso caminho, ele é via do ódio (que eu chamo de "alegria dos que são tristes"). O estado amoroso, em sua intensidade e sua incerteza é tanto o desejo da própria alegria como da alegria do outro. É um canto afirmativo: existimos, podemos, consistimos. Se estamos com alguém, e nos compomos alegremente com ele, tornamo-nos outro, um outro ser realmente mais belo e forte do que quando sozinhos. Amar é tanto a realização da vida como seu conhecimento. O que quer que nos separe disso é tanto a tristeza da vida como sua ignorância. Só amamos na plena potência de existir, só conhecemos na plena potência de pensar. O que quer que nos separe da vida (e de nós, e do outro) nos fragiliza, nos anuncia a insuficiência de ser. Nossa impossibilidade.&lt;br /&gt;Então, que aprendamos com esses afetos, alegres ou tristes, que nos movem o querer. Sem experimentá-los, não saberemos como e o que podemos ser; experimentando-os, aprendemos como ser, criamos nossos contornos. E esse outro que nos surge, repentino, e nos alegra (ou às vezes entristece), que seja nossa via régia, nosso bem, nossa força. Só assim toda forma de amor vale a pena...&lt;br /&gt;Para concluir (provisoriamente): a emergência de um terceiro em uma relação pode ser o contrário do sofrimento: pode ser o momento de olharmos para nossos estares com a pessoa que dizemos amar. Pode ser o momento de nossa máxima alterabilidade, da descoberta de nossas melhores forças. De nosso melhor encontro. E, por que não, de nos tornarmos gratos ao que aparece para nos perturbar em nossas plácidas certezas. E se "perdemos", que a perda nos ensine a ser mais sensíveis às intensidades do que até então pudemos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;&lt;br /&gt;Imagem: fotograma do filme &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;&lt;a style="color: rgb(51, 204, 0);" href="http://www.ascinzasdedeus.com/"&gt;As cinzas de deus&lt;/a&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;com Cia de Teatro Físico Zikzira e direção de André Semenza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-9094563967989361164?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/9094563967989361164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=9094563967989361164' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/9094563967989361164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/9094563967989361164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2008/03/tringulos.html' title='Triângulos'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/Shl74fjqXoI/AAAAAAAAAbo/kUKdVvlkXEo/s72-c/cinzas+de+deus+2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-984104100096111682</id><published>2008-03-18T12:35:00.004-03:00</published><updated>2010-04-13T13:21:58.703-03:00</updated><title type='text'>Escrever...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R9_h8lUu1MI/AAAAAAAAAJ4/QFIyBCD5c4A/s1600-h/Handsif.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179106527426827458" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R9_h8lUu1MI/AAAAAAAAAJ4/QFIyBCD5c4A/s320/Handsif.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prescreve o bom senso (com o qual a academia caminha em acordo) que só devemos escrever quando temos algo a dizer (não necessariamente algo original, mas fundamentado). Que não devemos nos apressar a escrever, pois a escrita demanda uma longa preparação. Uma preparação que passa por muitos modos de organização. Primeiro, criar os sistemas de referência; encontrar os autores, os saberes, o método, o ordenador simbólico que irá funcionar como uma autorização capaz de conferir ao nosso dito uma espécie de validação, uma certificação de origem. Encontradas essas balizas, passa-se para o plano. Não aquele que, em sua imanência, constitui um território habitável, mas o que antecipa uma regra para a depositação de nossos saberes, ainda que mínimos. Desenhado o plano, que inclui o método (nem isso, basta uma metodologia, de preferência uma escolhida entre as disponíveis nos manuais...), passa-se aos esboços de escrita. Esses esboços, claro, não caminham por si mesmos, devem passar pelo clivo de um terceiro, não um qualquer leitor, mas aquele autorizado, competente para avaliar a pertinência (com todos os sistemas de referência devidamente codificados) da escrita... Essa escrita, entretanto, não me encanta, nem é essa minha experiência de escrita. Só escrevo, só concebo algo a escrever quando não tenho, ao começar, o que dizer... A escrita do bom senso, invariavelmente, me paralisa. Não tenho o que dizer quando o que me convoca está nas alturas. Quando, o que me convoca, são as alturas.&lt;br /&gt;Gosto de pensar que, ao escrever, nem sempre sabemos bem o que estamos fazendo ou dizendo. Há sempre um texto que se escreve ali onde algo escrevemos... Pois há (é necessário que) uma certa inocência na escrita, principalmente naquela que se faz fora das regras formais do bem-dizer acadêmico. É, aliás, essa inocência que confere ao texto um certo frescor, uma certa alegria, um certo inacabamento necessário para que ele se sustente. Um incitamento. Uma potência... Nada mais triste que um texto professoral, de alguém "que sabe" e se coloca na posição de expor seu saber a "quem não sabe". Textos dados de antemão...&lt;br /&gt;Gosto desses textos que avançam sobre suas próprias incertezas, que fazem de seu inacabamento a possibilidade de continuarem. Eles são um modo de persistência... persistem em si mesmos, fazem-se lampejos, caminham intempestivos, arrastando tudo o que encontram pelo caminho, os portos, os sentidos, os nortes, prenhes de seu próprio excesso. Um excesso que é sua velocidade, sua parada repentina, sua alteração de ritmo. Pois tudo o que temos é isso, tempos, velocidades, afetos... Gosto desses textos que não se dão facilmente à compreensão, mas que entretanto ali estão, abertos, disponíveis a um leitor com o qual se construírem... Gosto desses textos nos quais tropeçamos, que nos fazem claudicar junto com eles, textos nos quais nos perdemos... ao mesmo tempo em que nos puxam, nos arrastam, nos impedem a parada, nos devolvem à deriva a cada vez que supomos ter conseguido uma ancoragem.&lt;br /&gt;Quando leio, penso que não devo perguntar: "o que o autor quer dizer", pois estou já na imanência do dito, dos fluxos que arrastam as palavras, as frases, os sentidos. Estou na música, e se encontro uma paisagem, desejo que seja dessas que se desenham para rapidamente se dissolverem em outras paisagens. Esses são os textos com potência de me mover, de me pôr em movimento com eles...&lt;br /&gt;Gosto desses textos que me convidam a inventar meus caminhos, textos que multiplicam meus próprios dizeres, minha própria escrita. É neles que encontro o que pensar, é com eles que meu corpo é forçado a pensar...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;10.03.2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;&lt;br /&gt;Imagem: o magnífico Escher. Drawing Hands, 1948. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-984104100096111682?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/984104100096111682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=984104100096111682' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/984104100096111682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/984104100096111682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2008/03/escrever.html' title='Escrever...'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R9_h8lUu1MI/AAAAAAAAAJ4/QFIyBCD5c4A/s72-c/Handsif.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-5573415521382395801</id><published>2007-11-22T12:32:00.008-02:00</published><updated>2010-04-13T13:22:59.337-03:00</updated><title type='text'>Das intensidades de Claudio Assis...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-Ej6lUu1QI/AAAAAAAAAKY/CAti2sQVerc/s1600-h/Baixio+1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-EjqlUu1PI/AAAAAAAAAKQ/7W3XHp4y-J4/s1600-h/Baixio+0.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179460260933326066" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-EjqlUu1PI/AAAAAAAAAKQ/7W3XHp4y-J4/s320/Baixio+0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se &lt;em&gt;Amarelo Manga&lt;/em&gt; é um rugido pulsante nas veias do mangue recifense, que não se interrompe em nós nem mesmo quando cessam as imagens sobre a tela, &lt;em&gt;Baixio das Bestas&lt;/em&gt; é o império do silêncio opressivo dos quadros fixos que, em cada retorno, nos dão, sintético, mínimo, estático, o tempo que não passa no vai e vem de caminhões e de corpos assujeitados na monocultura canavieira da Zona da Mata. No trabalho e no sexo, é sempre o corpo (explorado) que é dobrado num destino de fixidez mórbida, posto que sem possibilidade de singularização. Como o rugido, o silêncio dura, insiste no corpo, se faz clivagem sobre o mal-estar. Pois o cinema de Claudio Assis é isso: uma instância de superexposição do que constitui nosso mal-estar, ao qual não resistem nem mesmo as belas almas, mesmo as mais persistentes na manutenção de suas suturas protetoras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inevitável: esse pernambucano que é hoje um dos mais expressivos, polêmicos, radicais e vitais da nova geração de cineastas do país move paixões e amealha tanto admiradores quanto detratores. Poucos reagem com indiferença às suas imagens e à intensidade de seu estilo narrativo. Os admiradores dizem: cinema visceral; os detratores: exibicionismo, perversidade, gratuidade, desejo de chocar... pornografia, niilismo... São mais abundantes os adjetivos dos detratores do que os dos admiradores. Entende-se: quando uma obra se impõe por sua força, de pouco lhe valem os adjetivos, elogiosos ou não. O que permanece é um afeto que ora nos anima de alegria, ora nos mergulha na estupefação de um irremediável e triste desencantamento. Que não tomemos, entretanto, a alegria como expressão de uma obscura perversidade a nos roer os ossos da bela forma, nem a estupefação como manifestação de uma consciência que (inevitável) nos encaminha para uma culpa geradora de, no máximo, murros impotentes no ar. Melhor deixar que o mal-estar encontre seu tempo e sua maturação, sustentando rugidos e silêncios. Em sua negação se cava a fossa, infinita em sua escavação infinita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cinema de Assis, que alguns apontam como excessivo (quando não fruto de um capricho rancoroso e niilista), é, efetivo em sua visceral vitalidade, sempre alegre. Pois, assim como não é necessário ser triste para ser militante (como nos recomenda Foucault), não é necessário ser severo ou sóbrio ou ponderado quando aquilo que se combate é atroz e nos faz tremer de indignação. A alegria, essa variação para uma perfeição maior, não necessita da forma do sorriso ou da vã e estéril esperança para se afirmar. Ama mais o homem aquele que o expõe em suas fragilidades e suas mazelas do que o que o adula e lhe afaga a cabeça, compassivo (este, na realidade, odeia sem saber que odeia, confundindo, na tristeza arrogante de seu afeto, seu ódio concreto com um abstrato e difuso amor [para com o próximo...]). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;...às intensidades do espectador&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Perante um filme, não se trata de interpretá-lo (o que não se faz senão com o recurso a algo externo a ele, um modelo interpretativo, por exemplo, o que implica negá-lo como obra integral, afirmando que, enquanto obra, ele não se sustenta por si), mas de perguntar o que ele nos provoca, a que ele nos força. No cinema, mergulhado na sala escura e no conforto (ou desconforto, tanto faz) de uma poltrona, o corpo se apresenta a imagens projetadas em uma tela; imagens que, em sua duração, mudam. Sabemos (mesmo que só por experiência) que só assistimos bem a um filme se suspendemos, durante nossa presença às imagens, a consciência. Isto é, se nos desocupamos de ocupar nossa mente com o que quer que seja que não o fluxo de imagens ao qual nos entregamos, pois é à condição de nos entregarmos ao fluxo das imagens que podemos fruí-las. Assim, é principalmente o corpo e sua disponibilidade às afetações que está presente perante as imagens de um filme. "Sabemos" também - ou supomos - (mesmo que só por experiência) que, só após terminado um filme nos dispomos a pensá-lo. SUPOMOS, porque teríamos de crer que o pensamento se confunde com a consciência e que, como a consciência, o pensamento é algo que ocorre somente após a experiência e conhecimento de alguma coisa, o que só é concebível àquele que não é afeito à sua ativação. Contrariamente a isso, é necessário que afirmemos que, após o filme, o que ocorre é que nos damos conta - acede à nossa consciência, nos vêm à atenção - do que se pensava em nós durante a exposição a ele, pois o pensamento está ativo ao mesmo tempo em que o corpo, perante as imagens, é por elas afetado. Para que estejamos ativos perante um filme (e, com isso, para que acompanhemos de forma compreensiva o fluxo narrativo suportado pelas imagens), é necessário, pois, pensá-lo ao mesmo tempo que ele se apresenta. Mais especificamente: é necessário que as imagens fílmicas tenham a potência de forçar o corpo a pensar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Forçar, na medida em que nos colocamos aí numa posição paradoxal. Se pensar é uma atividade, e se a fruição do fluxo de imagens demanda um corpo em estado de relaxamento e suspensão (da consciência, que é, primeiro, consciência do corpo em estado de recepção e passividade), e que esse estado é compreendido como de um corpo receptivo/[passivo], é necessário que possamos compreender o corpo receptivo não como passivo, mas sim ativo em sua receptividade, logo, é necessário que compreendamos a recepção como uma disposição ativa. Essa disposção ativa, longe de ser da natureza do corpo (sua natureza é de passividade), implica um esforço que, no cinema, deriva das imagens, ou, mais precisamente, da relação do espectador com elas. O que é ativa, podemos dizer, é essa relação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Isso nos leva a um outro ponto. Assistir um filme exige estarmos implicados com ele, estarmos, com o filme, constituindo, numa dimensão relacional, um par nós[espectador]-imagens. Na relação com as imagens, é sempre numa dimensão afetiva que se dá essa implicação. &lt;em&gt;Afetiva&lt;/em&gt;, na medida em que a imagem nos afeta, sem que possamos escolher de que maneira somos por ela afetados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;[cont.]&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Imagem: um tanto óbvio, o cartaz de divulgação de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Baixio das bestas&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;, de Claudio Assis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-5573415521382395801?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/5573415521382395801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=5573415521382395801' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/5573415521382395801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/5573415521382395801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2007/11/das-intensidades-de-claudio-assis.html' title='Das intensidades de Claudio Assis...'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-EjqlUu1PI/AAAAAAAAAKQ/7W3XHp4y-J4/s72-c/Baixio+0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-5478563987156794664</id><published>2007-11-19T12:57:00.014-02:00</published><updated>2010-04-13T13:23:47.728-03:00</updated><title type='text'>Da maestria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-EaqFUu1OI/AAAAAAAAAKI/5xZY9lfsQtY/s1600-h/Moebius+200.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179450356738741474" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-EaqFUu1OI/AAAAAAAAAKI/5xZY9lfsQtY/s320/Moebius+200.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Supõe-se, quase sempre, que de tudo que um mestre deseja, o mais central é conquistar discípulos. Suposição que, se pode ser dada como óbvia, ao ser assim pensada, leva ao encobrimento de uma armadilha, das mais fatais para a própria existência do mestre. Pois se é inevitável que um mestre precise de discípulos (essa talvez primeira forma de intercessor e/ou interlocutor), já que de pouco valeriam suas palavras e seus saberes se não houvesse a quem dirigi-los, ou quem os movesse, ou quem os fizesse proliferar, a persistência do discípulo no lugar de discipulo rapidamente transforma-se na morte do mestre. Não há nobreza [e][ou] sabedoria [e][ou] firmeza de princípios [e][ou] força desejante [e][ou] possibilidade de defesa do mestre que o salve desse destino, o de ser morto ou destituído por aquele que o consagra em seu lugar de mestre.&lt;br /&gt;Caminhemos atentamente. Ser morto ou destituído como mestre não é, necessariamente, um mal. Ao contrário, pois não há mal pior do que o de desejar fixar-se e perpetuar-se na posição cristalizada de uma identidade. Se assim pensarmos, veremos rapidamente que nada mais desejável para aquele que ocupa, temporariamente, o lugar de um mestre que ser morto ou destituído por seus discípulos. Afinal, de que valeria um mestre capaz unicamente de produzir (eternos) discípulos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando falo, então, dos riscos do mestre, aqueles que levam a sua destruição, devo insistir que não é o discípulo que destrói o mestre, mas que a fatalidade do mestre está na persistência do discípulo enquanto discípulo.&lt;br /&gt;Vejamos. O que produz o discípulo, num primeiro momento, é um certo encantamento que a palavra do mestre produz nele. Muitas vezes não se trata sequer das palavras e seu peso, seu sentido, sua potência de agenciamento, mas de um certo jeito, de uma certa maneira de articular as palavras, tais e tais gestos que geram no discípulo um olhar e uma escuta encantados, não raro fascinados. Será movido por esse estado – um charme – que o já capturado discípulo aproxima-se daquele que ele eleje como seu mestre. A partir daí, ele irá se fazer presente a cada manifestação do mestre, à espera daquela frase, daquele gesto, daquela entonação que o faz sorrir e reconhecer, no outro à sua frente, sua própria consistência, sua própria materialidade.&lt;br /&gt;Isso pode se estender por muito tempo. Pode não passar disso, dessa reiteração constante que faz da presença de um a certeza da presença do outro. Se permanecer aí, a existência do mestre pouco irá se alterar. Acostumado a essas presenças fascinadas, o mestre sabe muito bem que elas são efêmeras. Um dia o discípulo fascinado se cansará, elejerá outro mestre a quem seguir e a quem fazer responsável por sua própria consistência. Mesmo assim, por menor que seja, essas fascinações oferecem um risco ao mestre. Um risco narcísico, o de se deixar encantar por essas presenças fascinadas, fazendo desse seu agora encantamento sua armadilha: conservar-se sempre o mesmo, medindo cuidadosamente as palavras e os gestos capazes de sustentá-lo nessa posição, jamais se desviando disso que supostamente assegura a sustentação desse território tão belamente constituído... como se fosse um jogo de olhos que se eterniza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta é a primeira morte do mestre, esse fascínio consigo mesmo que se afirma do fascínio que produz em um outro. [cont.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;* Texto em construção, iniciado em 19 de novembro de 2007, a continuar sabe-se lá quando  [nota do dia 19 de março de 2008]&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;______________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Imagem: Escher, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Moebius Strip&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;, 1963. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-5478563987156794664?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/5478563987156794664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=5478563987156794664' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/5478563987156794664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/5478563987156794664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2007/11/da-maestria.html' title='Da maestria'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R-EaqFUu1OI/AAAAAAAAAKI/5xZY9lfsQtY/s72-c/Moebius+200.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6784084259345357035.post-3673156343380422382</id><published>2007-11-12T01:02:00.011-02:00</published><updated>2010-04-13T13:26:22.112-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos de um Corpo Nu (2002)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R0GwgLRNrUI/AAAAAAAAABc/n8QNvAF119Q/s1600-h/Philippe+Saire.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134579117006368066" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R0GwgLRNrUI/AAAAAAAAABc/n8QNvAF119Q/s320/Philippe+Saire.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[MOTO CONTÍNUO]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 153);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Um, dois, três, zero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No começo, três alternativas ofereciam-se às suas limitadas reflexões. Limitadas não por incapacidade, mas por juventude. A pouca experiência, ainda, não lhe permitia altos vôos, e qualquer intento de entregar-se a uma diletante autobiografia, uma de suas aspirações, parecia-lhe ruinoso. Não ultrapassaria três páginas de uma obra que sonhava caudalosa. Tratava-se, de qualquer forma, de algo que estava além, que não dizia respeito ao que quer que pudesse dizer ou pensar de uma vida ainda tão menina. O que, entretanto, não lhe impedia a aspiração. Iniciara várias vezes a ambição do dizer bem o que, lamentavelmente, não podia conceber claramente, o que, anos mais tarde, transformara-se em uma quase obsessão. Como conceber claramente algo, se passados os anos permanecia ainda preso à mesma ambição adolescente de ter o que dizer sob uma bela forma?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de muitos esforços, e tomado pelo sentimento de que a bela forma é sempre insuficiente se não tem o que levantar consigo, fazendo dele um puro risco de tornar-se um esteta do nada a consentir, abandonara, por longo tempo, e não sem frustrar-se, a aventura. Que a bela forma se resolvesse primeiro, se é que, e, para resolvê-la, que ousasse caminhar mais abaixo, que buscasse o limbo e o lodo do que se tornara indizível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acostumara a sentar-se nu à escrivaninha, papéis à frente, imaculadas superfícies brancas que aguardavam por alguma contaminação. Contaminar, macular, desenobrecer, esse deveria ser o impulso facilitado pela nudez. Entretanto, embora nu, eram ainda as três alternativas da juventude seu tormento. A necessidade de passar o corpo ao branco, de transmitir ao branco as produções do corpo, de manchá-lo indelevelmente de suas secreções, de romper o muro criado pelas alternativas da juventude mostravam-se vãs. O máximo que conseguia era o suor do longo tempo imóvel e os quase imperceptíveis líquidos vazantes de seu corpo marcando a cadeira. Nada na escrita, nada no papel imaculadamente branco que revelasse as indeléveis nódoas que se esmerava, inutilmente, em limpar ali onde depusera o corpo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tratava-se, portanto, de encarar, em primeiro lugar, as alternativas da juventude, de excedê-las, de tentar ultrapassá-las. Só depois a escrita poderia talvez se tornar seu melhor possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao olhá-las de perto, entretanto, elas pareciam desdobrar-se infinitamente, revelando muitas outras dobras. Cada uma delas uma dobra, à primeira vista facilmente desdobrável por ser só uma, mostrava-se, ao iniciar o trabalho, objeto de um esforço sem fim. Mais resistentes até que as do corpo. Com quantas dobras se compõe uma dobra? Com quantos labirintos se faz um caminho reto? Olhar de perto é amplificar e reduzir o mundo. Uma linha não é somente uma linha, mas toda uma infinidade de vacilações e ensaios, de desvios e retomadas de caminho. Em todas as direções. Multiplicidades de pontos, de idas de um a outro, de retornos... Mais que três, muito mais que esse perfeito equilíbrio que, ao apresentar-se, só faz iludir de sua perfeição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cada aproximação, perder-se no emaranhado de linhas e pontos e curvas e atalhos e fragmentos de percurso levando a nenhum lugar apresentava-se como sina. Buscar uma alternativa outra. Tornara-se urgente sair para a cidade, procurar desfazer-se das proximidades do corpo mergulhando nelas. Ganhar a rua, caminhar supostamente determinado traçando sua linha entre um ponto e outro. Ignorar as próprias vacilações. Ignorar tudo o que o atrai, as luzes, as sonoridades, os tantos outros corpos que passam por ele sem esforços de aproximação. Que ele também evita. Viseiras é tudo o que se pode usar no caminho pelas ruas que tecem o impreciso traçado da cidade. Não poderia ser de outra maneira, pensa ele, sem que o tempo e o próprio espaço se esgarcem. Como ele, os outros pensam provavelmente o mesmo, por que não haveriam de, se como ele agem e caminham e evitam aproximações? Corpo, tempo, espaço, com certeza esse é o primeiro três. Condição mínima. O primeiro das três alternativas, a primeira dobra da primeira alternativa, a primeira dobra da primeira dobra da primeira alternativa. O que é já é muito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olha o cão, que jamais passa por outro sem cheirar-lhe o rabo. Lera em algum lugar que a passagem da posição curvada sobre quatro patas para a ereta, sobre dois pés, distanciara o homem de si mesmo, de seu corpo, de sua condição animal e suas formas de reconhecimento do semelhante. Fora Freud quem dissera isso, em um de seus malditos e incômodos textos, malgrado o cuidado e a elegância da escrita. Mais. Para compreender a cultura, para perguntar pelo que nos constitui, é necessário vasculhar-lhe as origens. Ir ao chão, ao lixo, aos resíduos, ao inútil, ao desprezível. Qual a coragem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sob o sol, caminhando suarento envolvido pelo perfume excessivo em sua já mistura, torcendo o nariz ao passar por lugares fétidos, qual a coragem? Como alterar isso, escapando às três alternativas das belas almas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na juventude, éramos também três, recorda. Uma pequena comunidade adolescente, atormentados, todos, pela lisura das belas almas que deveríamos cultivar. Éramos, cada um, uma das três alternativas que se desdobravam, por sua vez, em outras três, na desdobra infinita das dobras que nos compunham. As doces armadilhas. As ineludíveis explicações buscando manter à tona, à margem das palavras, a ignorância das profundezas e superfícies do corpo. Os severos confrontos que a solidão da amizade impedia que avançassem para além do cálido limite dos atos polidos, posto que ia além da polidez, atravessada de afetos capazes de superar rivalidades. Amigos com suas diferenças às vezes grandes e pouco ameaçadoras. Mais tarde distanciamo-nos, em nossos rumos diversos, recorda ainda. Tornamo-nos também diversos, quase divergentes. Perdemo-nos das notícias, cumprindo cada um, bem ou mal, o que tinha sido sonhado antes mesmo de sermos o que poderíamos ter sido. Sem tempo para o tornar-se, cada um, outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois retornaram ao lugar de origem. É o que se sabe, no jogo das lisuras. O terceiro, o homem que caminha, com certeza não. O que não significa que deixara de cumprir seu destino. O retorno ao lugar de origem, de alguma forma, é a aceitação das alternativas, de pelo menos uma. Não retornar, não. Não uma resolução, mas impossibilidade de permanecer com qualquer uma delas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É assim que o homem que caminha atravessa as ruas tentando manter a linha reta, atraído por todos os atalhos sem se decidir por nenhum. Nenhuma das alternativas, seu inferno. Impossibilidade do três.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:0pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;O zero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Na cidade sem sombras, os caminhos pareciam límpidos. Não era a falta de clareza que impedia fossem reconhecidos. Tratava-se de outra coisa, não de reconhecer caminhos, mas de reconhecer-se neles. De jamais saber se por ali seria possível caminhar. Talvez os outros dois pudessem, ele não. Na verdade, nenhum, embora algo sempre iluda como bom caminho. Traçados nítidos, na ilusão de sua suficiência, não bastam. Na certeza que a ausência de sombras assegura, o domínio é o da incerteza do próprio corpo exposto à luz. Ilusões da possessão, do poder de ser possuído ou de tomar posse. Passar por um caminho em um momento não assegura a mesma passagem, da mesma forma, no momento seguinte, essa a certeza sempre precoce. As ilusões da suficiência esbarram no convite a fazer corpo a ela. É pelas frestas da suficiência que o corpo escorre, mesmo que, na superfície, só seu suor, só seus excretos manifestem os efeitos dos esforços de aderência à ilusão. Seus preciosos excretos a se perderem no inesperado, no impreciso, na imponderável demanda a um outro. É a demanda que cria a impossibilidade da dádiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O terror da obediência que disfarça a recusa de servir constrói a ineludível impossibilidade do zero.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;O um&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O um era então pura imagem que ao se apresentar já anunciava uma ausência. Para além do organismo, é ela que faz o desenho do que pode o corpo. O contínuo desenho do corpo cria a superfície lisa para a qual conflui tudo o que vibra descontínuo sob a pele. Recuar da pele, trabalhar a composição dos fragmentos no entre da imagem na qual se faz um, todo um esforço. Sob o um o organismo ainda é sangue, esperma, merda, urina e suor que a imagem elide para criar corpo. Ou não. Falamos do espírito, mas é o corpo-organismo que nos aterroriza em sua possibilidade de retorno após ter sido descomposto. Impossibilidade do um.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;O dois&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contra a imagem do corpo pulsa outro corpo como pura imagem que ameaça se desfazer. Para que a imagem se realize é necessário que um outro corpo surja e a ameace. Há pelo menos dois outros do um. Esse corpo que é próprio e o outro que se faz imagem na qual o desejo se perde. No entre dois, além de seu limite, é a própria descomposição que constrói a expectativa. Impossibilidade do dois.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;O três&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais um do dois é o que chega sem aviso. Pensar que isso é a ordem barra o acesso ao terceiro. Não se quer saber que o que separa une. Ambigüidade do três que entre dois os faz descontínuos. Dois é sempre menos um. O menos um os cria. Caosmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 102);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Cidade-um&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem caminha pela cidade e recorda o cego que a reconhece moderna. A cidade é moderna, repete o cego a seu filho que nela chega sem tê-la ainda percorrido. A cidade é sempre moderna e por isso não se vê. Ama acolher cegos e odeia viseiras que limitem o olhar. Ela se dá, abre suas direções a todo e qualquer um. Mas ela se estria e então não se vê. A cidade que não pode ser vista se salva no liso aparente de sua superfície. Acolhe a proximidade dos corpos e traça caminhos para cada um deles. Oculta-os na proximidade dos muros, estabelece suas distâncias. Mínimas distâncias que tornam visível o que não se vê. Na cidade das ocultações todos os corpos se refletem e se separam nos muros que os definem e os limitam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem sombras, a cidade é sempre um renovado pesadelo sob o sol da meia-noite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 102);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Cidade-dois&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Criar o necessário. Ao perder-se do caminho de retorno, não lhe reconhece mais as pedras, as estrias, as saliências e os desvios. Sabe que estão ali, a sua frente, mas não sabe se o corpo suporta sua travessia. Seria necessário um outro, que tivesse mergulhado antes nesse esquecimento que a memória não supera. Mais que saber, conhecer, criar o sentido. Mais que caminhar, conhecer o caminho e o sentido das pedras, das estrias, das saliências e dos desvios. O esquecimento desfaz os atalhos. O fácil não há.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Houve uma caminhada que se quis até a exaustão. Eram dois dos três, altivos no entusiasmo do começo, dispostos ao sol. Foram além do possível, sem pensar que um caminho se faz duas vezes quando o desejo é só de uma aventura. Pois era isso. A volta era incerta, o desejo não, o que fazia do ir um quase nada pronto a ceder perante a extinção da luz. Há o que não dura, algo que se aprende do caminho após tê-lo percorrido uma primeira vez. Percorrer de novo é sempre um excesso a que corpo nenhum se dispõe, mesmo sendo a isso que se obrigue. Como o dos dois, cediços no temor à noite. A volta frustra na boléia do caminhão, a memória do primeiro ensaio de partida que não chegara a ser. A cidade sem sombras ainda iria durar contra todo desejo de partida. Talvez para sempre, onde quer que os passos ensaiem as formas de caminhar contra o um.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 102);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Cidade-três&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certo. A cidade é sem sombras, e isso não a faz segura. O corpo deseja as sombras, a cidade as recusa. Mais. Força os gritos do corpo que se furta à luz, que devem soar nítidos e cristalinos quando o corpo encontra sua clausura no ponto mais alto da cidade. Os gritos do corpo advertem a todos os outros sobre as ameaças que pairam sobre aquele que se furta ao visível. Ocupar o ponto mais alto, ser ocultado na suprema visibilidade da cidade é a contínua ameaça à revolta contra o organismo que os olhos insistem em tornar um. Fragmentado, única forma de estar nu, esse é o corpo que busca compor-se quando se põe a caminho, em retorno à cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 102);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;Cidade zero&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse é o ponto de forçagem. Não há retorno que não seja contra a cidade couraça, não há cidade que se oponha ao retorno que não seja, desde o princípio, essa uma. Um corpo só se afirma se despedaçando contra os muros, para além de seus gritos e contorções. Antes, um corpo apaziguado abandonando seus órgãos. Agora, esse outro que dispensa os órgãos em cada esquina para encontrar-se intenso. Seu grau zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Imagem: foto de divulgação da peça musical &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;La haine de la musique &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;[&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Ódio pela música]&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;, da Compagnie Philippe Saire [Suíça], apresentada no Brasil em 2001 [34. Festival Internacional de Londrina - Filo 2001 e Teatro Sesc-Anchieta, São Paulo].&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6784084259345357035-3673156343380422382?l=letrasrizomaticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/feeds/3673156343380422382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6784084259345357035&amp;postID=3673156343380422382' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/3673156343380422382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6784084259345357035/posts/default/3673156343380422382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrasrizomaticas.blogspot.com/2007/11/fragmentos-de-um-corpo-nu-2002-moto.html' title='Fragmentos de um Corpo Nu (2002)'/><author><name>Valter A. Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11959194890462688170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SQTaOqIK6Ow/R0GwgLRNrUI/AAAAAAAAABc/n8QNvAF119Q/s72-c/Philippe+Saire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
